sábado, 10 de outubro de 2009

Tempo de Bethânia*


"Tua" e "Encanteria", já nas lojas, são os dois novos álbuns de Maria Bethânia. Aos 63 anos, a baiana de Santo Amaro da Purificação, que vive no Rio desde os 17, não para de produzir. Desde "Brasileirinho" (2004), ela já lançou mais quatro CDs e DVDs. Em 2006, também fez dois discos ao mesmo tempo, "Mar de Sophia" e "Pirata". "Minha fome de cantar é grande. Lanço discos quando tenho alguma coisa para dizer. Se for me preocupar com a pirataria, não vou fazer o que vim aqui para criar", afirma Bethânia. A cantora conta ter recebido inúmeras canções de diferentes compositores do Brasil todo. Muitas foram feitas especialmente para ela --sobretudo as do conterrâneo Roque Ferreira, que assina sete faixas nos dois CDs.

Gravados neste ano, os álbuns têm 22 músicas. "Tua", com 11 canções, todas inéditas, é o primeiro CD de Bethânia dedicado integralmente ao amor. No intervalo entre algumas faixas, há citações de trechos de letras de Roque Ferreira, Bill Farr e Mauro Duarte, todos transcritos no encarte do disco. "Sou intérprete, mais do que cantora, então preciso de uma narrativa, sempre uso textos como um fio condutor".

O outro CD, "Encanteria", também com 11 faixas (entre inéditas e regravações), fala sobre a fé. "O primeiro traz canções com ritmos e poemas elaborados amorosamente. O segundo, sobre a fé, vem para festejar tudo isso. O amor é a única saída, é a cura, a devoção".

Ambos trazem duas influências de Bethânia: o mar e a roça. "Sou a caçula de oito filhos. Quando nasci, minha mãe já estava cansada de ir à praia, e a frequência das idas diminuiu. Por isso, peguei o aprendizado da beira do mar e o da fazenda, da música do interior caipira", conta.


Festa na Estudantina
Para comemorar o lançamento dos discos, Bethânia escolheu a Gafieira Estudantina, no Rio, em agradecimento à casa que batizou o palco com o nome dela, e chamou os amigos para uma festa no dia 30 de setembro. Também convidou alunos da Escola Portátil de Música, com os quais gravou duas músicas de "Encanteria": a faixa homônima e "Feita na Bahia". "Fiquei alucinada com a orquestra da Escola Portátil e escolhi a Estudantina para cantar com eles e para fazer uma grande festa". Na ocasião, a cantora subiu ao palco com os alunos e emocionou todos ao interpretar os versos de "Encanteria": "De qualquer maneira eu deixo, nessa casa, a minha luz. Abro o ponto e o ponto fecho. Deixo o resto com Jesus".

Destaques dos dois discos
"Tua"
A faixa-título do CD foi composta por Adriana Calcanhotto

"Até o Fim", de César Mendes e Arnaldo Antunes, tem a participação de Toninho Ferragutti no acordeão

"Remanso", de Moacyr Luz e Aldir Blanc, traz Hamilton de Holanda no bandolim

"Saudade", de Chico César e Paulinho Moska, tem como convidado o cantor Lenine. Toninho Ferragutti também toca acordeão nesta faixa

"Encanteria"
A música que dá nome ao disco, de Paulo César Pinheiro, tem a participação de alunos da Escola Portátil de Música

"Saudade Dela", de Roberto Mendes e Nizaldo Costa, tem os convidados Caetano Veloso e Gilberto Gil, que dividem os vocais com Maria Bethânia

"Doce Viola", de Jaime Alem, maestro de Maria Bethânia. Além de assinar a letra, ele é responsável pelos arranjos e toca violão e viola caipira

*matéria que escrevi para o jornal Agora São Paulo, publicada em 06/10/2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Voz suave e show psicodélico


O show da cantora Céu, de seu mais recente disco, "Vagarosa", no Auditório Ibirapuera, na última sexta (4), foi sensorial...O efeito de luzes e cores mais o perfume (a Natura patrocina a turnê e traz a proposta de música e perfume, deixando um aroma no ar do Auditório), fizeram da apresentação uma experiência para aguçar os sentidos. Entre os convidados estavam Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Pupillo (Nação Zumbi), Anelis Assunção, Thalma de Freitas e o instrumentista Rodrigo Campos (do disco "São Mateus Não é um Lugar Assim Tão Longe").
Com sua voz suave e impecável, Céu propõe uma viagem musical que passa pelo reggae, dub, jazz, afrobeat e samba...No repertório, "Espaçonave" (com a guitarra psicodélica de Catatau); uma versão deliciosa para "Takes Two to Tango", de Ray Charles e Betty Carter; "Visgo de Jaca", de Martinho da Vila e o bis "Rosa Menina Rosa", de Jorge Ben, que ela gravou para a filha. Só faltou o Luiz Melodia, que participa do novo álbum...

sábado, 3 de outubro de 2009

Homens do cinema

Da Lapa carioca para o Brasil



O quinteto Casuarina, que concorreu neste ano ao VMB na categoria samba (Zeca Pagodinho levou o prêmio), faz parte da nova geração de sambistas da cena musical da Lapa carioca. Desde a sua formação, em 2001, os caras se propõem a manter viva a tradição da roda de samba, com um jeito bem particular de fazer música. A roda dedicada ao gênero, promovida pelos jovens há três anos no Rio, na Fundição Progresso, ganhou um registro ao vivo, "MTV Apresenta: Casuarina", em CD e DVD (é o primeiro DVD deles). Gravado em maio deste ano no palco da Fundição, o trabalho conta com as participações de Roberto Silva, Wilson Moreira, Paulinho Moska, Frejat e Lan Lan. "Quisemos mostrar para o Brasil essa roda de samba que recebeu tanta gente para prestigiá-la nas madrugadas cariocas", diz João Cavalcanti. Filho do músico Lenine, João é vocalista e percussionista do Casuarina, e conta que seu pai é o principal responsável por sua formação como sambista. A banda, formada ainda por Gabriel Azevedo (voz e percussão), Daniel Montes (violão e vocais), João Fernando (bandolim e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho e vocais), deve se apresentar em Sampa no dia 15 deste mês, em local a ser confirmado. "O samba é o nosso hip hop, a expressão máxima do gueto", conclui Cavalcanti.